Era uma vez um planeta exatamente cúbico. Ele tinha uma órbita retangular ao redor de uma estrela também cúbica e comportava quase 7 bilhões de pequeninos habitantes poligonais, deslizando por seus planos, se equilibrando em suas arestas.
Nesse planeta as curvas não tinham vez. Os poucos seres que nasciam mais arredondados eram olhados com desprezo.
Mas, em uma casa pintada de xadrez, com chão de azulejos, nasceu uma menina redonda. Perfeitamente redonda.
Foi uma tragédia na família. O pai recusou a menina dizendo que a filha não era dele e separou-se da esposa. A mãe teve pena da criança, que em nada tinha culpa por nascer diferente, e criou-a como se criava uma criança paralelepípidica.
Mas a criança fazia perguntas demais. Não entendia como podia ser tudo tão linear. Enxergava mil outras maneiras mais fáceis de resolver os mesmo problemas e não concebia que todos tivessem opiniões tão... quadradas! (Você também pensaria assim se visse o mundo por coordenadas polares.)
Seu raciocínio nunca era direto. Sua lógica espiralava em torno das circunstâncias, chegando aos resultados mais improváveis.
Por isso mesmo entendia mais da vida.
Quando nova, se sentia excluída por ser diferente. Cresceu e viu que não sabia viver de outra forma. Não saberia ser linear e viu que nascer redonda fez com que tudo para ela fosse mais simples.
Resolveu que obrigaria seu planeta a ter curvas e viveu a esbarrar nos trapézios obesos, nos paralelepípedos baixinhos e fortões ou compridos e magrelos, também nos cubos tão antiquados, e em todas as formas pontudas, retirando pedacinhos e arredondando a vida no planeta.
Mas aos poucos ela mesma perdia pedacinhos e ganhava pontas.
Apesar disso, ela viveu bem e por muito tempo e foi muito feliz enquanto duraram suas curvas.
Nesse planeta as curvas não tinham vez. Os poucos seres que nasciam mais arredondados eram olhados com desprezo.
Mas, em uma casa pintada de xadrez, com chão de azulejos, nasceu uma menina redonda. Perfeitamente redonda.
Foi uma tragédia na família. O pai recusou a menina dizendo que a filha não era dele e separou-se da esposa. A mãe teve pena da criança, que em nada tinha culpa por nascer diferente, e criou-a como se criava uma criança paralelepípidica.
Mas a criança fazia perguntas demais. Não entendia como podia ser tudo tão linear. Enxergava mil outras maneiras mais fáceis de resolver os mesmo problemas e não concebia que todos tivessem opiniões tão... quadradas! (Você também pensaria assim se visse o mundo por coordenadas polares.)
Seu raciocínio nunca era direto. Sua lógica espiralava em torno das circunstâncias, chegando aos resultados mais improváveis.
Por isso mesmo entendia mais da vida.
Quando nova, se sentia excluída por ser diferente. Cresceu e viu que não sabia viver de outra forma. Não saberia ser linear e viu que nascer redonda fez com que tudo para ela fosse mais simples.
Resolveu que obrigaria seu planeta a ter curvas e viveu a esbarrar nos trapézios obesos, nos paralelepípedos baixinhos e fortões ou compridos e magrelos, também nos cubos tão antiquados, e em todas as formas pontudas, retirando pedacinhos e arredondando a vida no planeta.
Mas aos poucos ela mesma perdia pedacinhos e ganhava pontas.
Apesar disso, ela viveu bem e por muito tempo e foi muito feliz enquanto duraram suas curvas.