quinta-feira, 2 de julho de 2020

T.R.I.N.T.A

Estou fazendo 30 anos, mas podia ser 13.
Ainda canto as mesmas músicas,
Ainda rio das mesmas piadas bobas,
Não consigo segurar o sorriso na frente de um bebê ou um cachorro.

Quase 10 anos de experiência profissional.
Mas Banco Imobiliário conta? E Pique Esconde?
Porque foi lá atrás que eu aprendi as lições mais valiosas
de trabalho em equipe e da necessidade de ser justo.

O que estamos fazendo?
Fingindo maturidade.
Vestindo paletós e olhares frios.
É para cobrir nossas inseguranças?

Eu sei que não são 13, porque eu já sei o telefone do encanador,
Já pago aluguel, luz, gás e telefone.
Compro legumes no mercado.
E a mesada agora sou eu que dou aos meus pais.

Mas me custa acreditar no número 
T-R-I-N-T-A.
Ainda vive em mim a mesma menina
que sonhava alto e falava baixo.

Como foi que eu aprendi 
que envelhecer é deixar a infância para trás? 
Que para ter 30, 
eu tenho que deixar de ter 13?

Eu cheguei aqui, acumulando as minhas meninas.
Cada uma deixando mais cheio meu coração.
São 30. Mas também são 13. 
A cada ano eu fico mais completa.

domingo, 6 de outubro de 2019

Vestido rodado

Levantei voo
Com meu vestido preferido.
Te encontrei
E me perdi.

A dança era liberdade.
Eu sorria e girava.
Eu olhava e mandava, numa brincadeira infantil,
Sendo quem eu sabia que não era.

Meu vestido rodava
Nas órbitas dos anéis de seus dedos,
E eu me deixava flutuar até você 
Sem resistência alguma.

Depois de você, eu continuei a girar,
Mas meu vestido ficou preso
No peso
Das suas histórias.

Cada pedra que, com amor,
Você colocava na barra do meu vestido
Fez mais difícil a dança 
E a vida.

Você não queria que eu te deixasse.
E eu me deixei atrair
Pela força da sua gravidade
E fiquei.

E a todo momento,
Meu vestido preferido,
Preso, pesado, parado,
Rasgando.

O que era pouso,
Virou gaiola.
E o repouso,
Ansiedade.

Hoje, eu, que há muito
Deixei para trás pedaços do meu vestido querido,
Sinto com a ponta dos dedos 
A falta.

Que é a falha
No meu giro perfeito.
Que expõe
E traz vergonha.

Na minha próxima dança, 
Não haverá moda.
Vou dançar nua.
Minha alma queimando ao sol.

Não haverá esconderijo 
Ou trapos.
A falta não será mais ausência,
Mas regra.

E nessa nova ordem
De presença intensa,
De alma crua,
A dança será outra.

O meu vestido preferido, 
Que ainda insisto em me cobrir pedaços da pele,
Não será mais que uma lembrança turva
De um amor que deixou de vestir bem.




I met you one year ago 
Your presence lasted just a few days
And your absence still hurts

quinta-feira, 28 de março de 2019

New habits

If I could simply
Not 
Look back to those days

Not
Hope silently every single day
To find you in my doorstep 
Waiting to surprise me

If I didn’t
Long for your green eyes saying
How much you still love me

And if I could sleep 
Without 
Imagining you holding me

Maybe if I could stop 
My habit of loving you
I could start a new
Crazy
Handsome 
Habit 
Of loving myself 

quarta-feira, 6 de março de 2019

To the moon and back

7 bilhões de pessoas no nosso planetinha azul.
8,8 bilhões de planetas habitáveis na nossa galáxia.
Rodeada de 100 bilhões de outras galáxias no universo
e um infinito de universos paralelos.

E eu parei exatamente aqui,
astronauta dos meus amores.
E eu te olhei daqui,
sua ausência em anos-luz.

O silêncio
completando minhas perguntas.
O vazio
de um fim mal acabado.

O meu mundo gira
em pirueta en dedans.
Fora dele,
é sempre noite e sempre dia.

Minha mente orbita
tuas palavras poucas, tuas razões vazias.
Dentro dela,
um eco inútil e ensurdecedor.

Algo se partiu.
Me despeço de uma ilusão bonita.
Temos órbitas divergentes,
em um universo em expansão.

7 billion people in our blue planet.
8,8 billion inhabitable planets in our galaxy.
Surrounded by 100 billion other galaxies in the universe
and an infinite number of parallel universes.

And I stopped exactly here,
astronaut of my loves.
And I looked at you from here,
your absence in light-years.

The silence
completing my questions.
The emptyness
of a barely finished end.

My world spins
pirouette en dedans.
Outside,
it´s always night and always day.

My mind orbits
your few words, your empty reasons.
Inside it,
an useless deafining echo.

Something broke.
I say goodbye to a beautiful illusion.
We have divergent orbits,
in an expanding universe.