Dear
Sir/Mam,
A minha infância e adolescência todas eu
sonhei em ser pediatra. Sempre gostei de crianças, parecia um sonho cuidar
delas todos os dias. Até que um dia a avó de uma amiga me disse “bem, você vai
ver muitas crianças doentes”. Nunca esqueci desse dia. Tem uma expressão
brasileira que descreve bem esse momento: “Meu mundo caiu”. Eu demorei
algum tempo para realmente entender o que ela havia dito.
Eu entendi que não
poderia viver vendo crianças doentes, demorei mais um bom tempo para
escolher um novo rumo.
Quis fazer cinema, arquitetura, artes
plásticas. Minha orientação vocacional me aconselhou a fazer música. Pena que
não tenho nenhum dote musical. Apesar de ter tentado tocar violão, hoje não
faço nem barulhos com a boca. Desafino até falando.
Eu gostava de todas as matérias na
escola. Era aquela nerd que passava horas na biblioteca e todos copiavam o
caderno quando chegava perto das provas. Eu tirava notas mais altas em exatas,
mas também gostava muito de história e geografia e de como essas matérias
ajudam a entender a situação política e econômica atual.
Não sabia nem por onde começar a
decidir. O tempo estava passando, eu tinha 17 anos e tinha que escolher uma
carreira logo. Escolher o que eu faria para o resto da vida. Uma baita
responsabilidade.
Eu encarei o mundo a minha frente, pensei
no trabalho voluntário que fiz por 4 anos, desde novinha, e decidi que queria
deixar algo bom para trás. Eu não sou de esperar que aconteça. Queria deixar
coisas boas para o mundo feitas com minhas próprias mãos.
Meu primeiro pensamento foi fazer cinema
e desenvolver documentários sobre a realidade do país em que vivo. Acabei
desistindo dessa ideia. Fiz Engenharia Ambiental.
Antes de entrar na faculdade estava
confusa e nervosa. Assustada com a nova fase. Tremendo de medo de não passar
nas provas. Não tinha ideia do quanto me apaixonaria pelo curso. Discussões
estimulantes, tópicos interessantes, amigos incríveis. Um aprendizado e tanto.
Quando comecei a estagiar, percebi que
os trabalhos nesta área eram muito interessantes. Eu, satisfeita, me surpreendia a
cada dia com novos desafios. Me levavam a pensar, criar.
Hoje, olho para trás e vejo conquistas.
Projetos grandes realizados. Sonhos transformados em realidade.
Uma vez tive a ideia de usar meu corpo
como quadro e fazer tatuagens de flores. Uma a cada conquista, lutando para
quando ficar velhinha, me transformar em jardim. Se tivesse levado isso a
sério, já teria algumas rosas florescendo.
Olho para frente e, sendo bem sincera,
não consigo enxergar direito. Tenho o sonho de construir uma escola comunitária
com educação de alto padrão para satisfazer aquele desejo imenso de cuidar das
crianças do meu país. Mas ainda tenho muito o que aprender antes disso. Quero
fazer bem feito.
Meu futuro está, no momento, incerto. Quero
me desenvolver. Aprender e crescer.
Sempre digo que sou como um pássaro que
leva o lar dentro do peito e que a vontade de voar me consome igual fome.
Quero
voar. Trazer e levar sementes. Ver o mundo de um jeito
que nunca tive a oportunidade de ver antes.
Eu tentei fazer esta carta a minha cara.
Ela é muito sincera e tem muito de mim.
Espero que tenha conseguido passar um
pouquinho da minha história.
I hope to hear from
you soon.
Thank you for the
attention.