quinta-feira, 17 de maio de 2018

Poema a uma lutadora

Toca o sinal, ela perdeu mais um round
Aqui na primeira fila, se cheira o pânico, o suor e o sangue
Quando o ringue se torna jaula
Ela ainda vai ganhar

O intervalo desaparece em agonia
Tecidos se exibindo, em pedaços
Ela se encolhe contra o poste, mas ela é
Tão
Grande.

A luta continua
O tatame chama
Ela responde:
Hoje não

Socos trocados
As cordas a jogam de volta ao centro
Ainda há luta
Mas e o cansaço?

Eu grito
Pulo
Me desespero
Mas continuo na primeira fila, o meu lugar

A luta é dela
E dela é a força
Imensa
Para ganhar da dor de todos os dias

domingo, 13 de maio de 2018

Marapé

Naquele prédio de cozinhas pequenas,
Se sentiam os mais diferentes aromas.
As refeições se anunciavam pelas janelas,
E os vizinhos, atentos, competiam sabores.

Era sabido que esfriava, quando os legumes despontavam no ar
Tão bem cozidos para mergulhar na sopa.
E às madrugadas, sentia-se o peso da insônia,
E o aroma do feijão.

Durante o dia, os aromas acompanhavam canções
Das mais variadas.
E o porco, a carne, o peixe, complementavam o ritmo,
Estalando nas panelas.

Do banheiro, se sentia a alegria de um bolo no forno.
Do sofá, o cheiro de pipoca.
Os apartamentos, pequenos, se recheavam de desejos

e fome.

Era um edifício de dietas proibidas.