domingo, 13 de maio de 2018

Marapé

Naquele prédio de cozinhas pequenas,
Se sentiam os mais diferentes aromas.
As refeições se anunciavam pelas janelas,
E os vizinhos, atentos, competiam sabores.

Era sabido que esfriava, quando os legumes despontavam no ar
Tão bem cozidos para mergulhar na sopa.
E às madrugadas, sentia-se o peso da insônia,
E o aroma do feijão.

Durante o dia, os aromas acompanhavam canções
Das mais variadas.
E o porco, a carne, o peixe, complementavam o ritmo,
Estalando nas panelas.

Do banheiro, se sentia a alegria de um bolo no forno.
Do sofá, o cheiro de pipoca.
Os apartamentos, pequenos, se recheavam de desejos

e fome.

Era um edifício de dietas proibidas.

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