Naquele
prédio de cozinhas pequenas,
Se sentiam
os mais diferentes aromas.
As
refeições se anunciavam pelas janelas,
E os
vizinhos, atentos, competiam sabores.
Era sabido
que esfriava, quando os legumes despontavam no ar
Tão bem
cozidos para mergulhar na sopa.
E às
madrugadas, sentia-se o peso da insônia,
E o aroma do
feijão.
Durante o
dia, os aromas acompanhavam canções
Das mais
variadas.
E o porco,
a carne, o peixe, complementavam o ritmo,
Estalando nas
panelas.
Do
banheiro, se sentia a alegria de um bolo no forno.
Do sofá, o
cheiro de pipoca.
Os apartamentos, pequenos, se recheavam de desejos
e fome.
Era um
edifício de dietas proibidas.
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