domingo, 6 de outubro de 2019

Vestido rodado

Levantei voo
Com meu vestido preferido.
Te encontrei
E me perdi.

A dança era liberdade.
Eu sorria e girava.
Eu olhava e mandava, numa brincadeira infantil,
Sendo quem eu sabia que não era.

Meu vestido rodava
Nas órbitas dos anéis de seus dedos,
E eu me deixava flutuar até você 
Sem resistência alguma.

Depois de você, eu continuei a girar,
Mas meu vestido ficou preso
No peso
Das suas histórias.

Cada pedra que, com amor,
Você colocava na barra do meu vestido
Fez mais difícil a dança 
E a vida.

Você não queria que eu te deixasse.
E eu me deixei atrair
Pela força da sua gravidade
E fiquei.

E a todo momento,
Meu vestido preferido,
Preso, pesado, parado,
Rasgando.

O que era pouso,
Virou gaiola.
E o repouso,
Ansiedade.

Hoje, eu, que há muito
Deixei para trás pedaços do meu vestido querido,
Sinto com a ponta dos dedos 
A falta.

Que é a falha
No meu giro perfeito.
Que expõe
E traz vergonha.

Na minha próxima dança, 
Não haverá moda.
Vou dançar nua.
Minha alma queimando ao sol.

Não haverá esconderijo 
Ou trapos.
A falta não será mais ausência,
Mas regra.

E nessa nova ordem
De presença intensa,
De alma crua,
A dança será outra.

O meu vestido preferido, 
Que ainda insisto em me cobrir pedaços da pele,
Não será mais que uma lembrança turva
De um amor que deixou de vestir bem.




I met you one year ago 
Your presence lasted just a few days
And your absence still hurts

quinta-feira, 28 de março de 2019

New habits

If I could simply
Not 
Look back to those days

Not
Hope silently every single day
To find you in my doorstep 
Waiting to surprise me

If I didn’t
Long for your green eyes saying
How much you still love me

And if I could sleep 
Without 
Imagining you holding me

Maybe if I could stop 
My habit of loving you
I could start a new
Crazy
Handsome 
Habit 
Of loving myself 

quarta-feira, 6 de março de 2019

To the moon and back

7 bilhões de pessoas no nosso planetinha azul.
8,8 bilhões de planetas habitáveis na nossa galáxia.
Rodeada de 100 bilhões de outras galáxias no universo
e um infinito de universos paralelos.

E eu parei exatamente aqui,
astronauta dos meus amores.
E eu te olhei daqui,
sua ausência em anos-luz.

O silêncio
completando minhas perguntas.
O vazio
de um fim mal acabado.

O meu mundo gira
em pirueta en dedans.
Fora dele,
é sempre noite e sempre dia.

Minha mente orbita
tuas palavras poucas, tuas razões vazias.
Dentro dela,
um eco inútil e ensurdecedor.

Algo se partiu.
Me despeço de uma ilusão bonita.
Temos órbitas divergentes,
em um universo em expansão.

7 billion people in our blue planet.
8,8 billion inhabitable planets in our galaxy.
Surrounded by 100 billion other galaxies in the universe
and an infinite number of parallel universes.

And I stopped exactly here,
astronaut of my loves.
And I looked at you from here,
your absence in light-years.

The silence
completing my questions.
The emptyness
of a barely finished end.

My world spins
pirouette en dedans.
Outside,
it´s always night and always day.

My mind orbits
your few words, your empty reasons.
Inside it,
an useless deafining echo.

Something broke.
I say goodbye to a beautiful illusion.
We have divergent orbits,
in an expanding universe.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Previsão do Tempo

Respiro.

Vejo uma tempestade em formação.
Raios iluminam a surpresa escura.
E eu encaro boquiaberta
minhas nuvens mudarem suas cores

flácidas.

Queria eu que esse céu monocromático
se pintasse de rosa e laranja.
Mas hoje o sol se escondeu
nas minhas memórias

turvas.

Hoje sou ânsia, controle e foco.
Ainda não sou tempestade.
Ando na chuva, 
mas o meu solo ainda é sertão

sedento.

Respiro mais uma vez e não sorrio.
Aprendi com crianças
que as emoções são todas irmãzinhas.
Quando se estende a mão a uma,
te conquistam todas,

espaçosas.

Hoje, observo.
Ainda há luz.
Amanhã, invasão.
O andar escorregará.

falho.

Irá faltar abrigo,
Amigo,
E não haverá lugar dentro desse peito
Que não respingue

dor.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Desigual

A miséria no meu país é um iceberg
Debaixo d'água,
sem ar e tentando sobreviver,
os filhos da minha mesma pátria existem.
Resistem.

Meu país finge que só existe o que se toca,
que só é real o que se vê do alto da minha Zona Sul.
Não vêem que a paisagem dos miseráveis é árida,
como suas vidas sem sonhos.

Não vêem que nossos cães têm uma vida mais digna
Que as crianças da minha pátria.
Que palavras doces, abraços e os mínimos recursos
estão escassos no nosso país.

Os passos incertos que demos
nos trouxeram aqui.
E aqui a verdade
abriu as janelas,
levantou as cortinas,
arrancou o telhado,
esticou os nossos limites.

E agora vemos que o rapaz revirando o nosso lixo,
Lixo de gente rica,
É só a ponta
De tantas vidas miseráveis que a gente não vê.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Beija-flor

Entrou voando na minha vida
Achando que era sua.
Fez do apartamento, ninho
E do meu dedo, flor.
Beija-dedo,
Beija-gente,
Beija-eu.
Foram minutos
Ou horas?
Nem sei.
Sei que queria ver teu voo
Mas antes mesmo já bateu saudade,
E fiquei eu com a mão que te acarinhou 
Sem querer lavar.