Debaixo d'água,
sem ar e tentando sobreviver,
os filhos da minha mesma pátria existem.
Resistem.
Meu país finge que só existe o que se toca,
que só é real o que se vê do alto da minha Zona Sul.
Não vêem que a paisagem dos miseráveis é árida,
como suas vidas sem sonhos.
Não vêem que nossos cães têm uma vida mais digna
Que as crianças da minha pátria.
Que palavras doces, abraços e os mínimos recursos
estão escassos no nosso país.
Os passos incertos que demos
nos trouxeram aqui.
E aqui a verdade
abriu as janelas,
levantou as cortinas,
arrancou o telhado,
esticou os nossos limites.
E agora vemos que o rapaz revirando o nosso lixo,
Lixo de gente rica,
É só a ponta
De tantas vidas miseráveis que a gente não vê.
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