Me disse que somos só
POEIRA DE ESTRELAS.
Que a nossa matéria é a mesma que brilha no céu. E que, assim, fluidos somos. Neste universo, somos um.
Mas como posso sentir tanta solidão, tanto despertencimento, tanta exclusão e paranóia, se eu também sou o outro?
Eu não me sinto universo, nem harmonia. Me sinto concha vazia.
Será que se encostares teu ouvido no meu peito, ouvirás som de mar? Ou meu coração, ausente ou vazio, te responderá com o mesmo silêncio que responde a mim?
Como pode, um ser inteiro, se sentir pedaço? Como pode faltar em mim uma conexão com este universo que devia ser lar.
A minha única explicação é que devo vir de outro universo. Me perdi de meus iguais como um filhote de pinguim pegando carona na corrente errada.
Assim, eu não entendo o que é humano e o que é humano não me alcança, não me compreende e não me completa.
Há identidade na ausência? Posso eu, mesmo estranha a este universo estranho, encontrar caminhos? Posso eu, depois de me perder, me encontrar e aprender a viver?
Do fundo deste planeta que é a minha mente, não imagino fugas. Imagino dragas e estátuas. Uma pilha de caveiras sem corpos a vista.