Com meu vestido preferido.
Te encontrei
E me perdi.
A dança era liberdade.
Eu sorria e girava.
Eu olhava e mandava, numa brincadeira infantil,
Sendo quem eu sabia que não era.
Meu vestido rodava
Nas órbitas dos anéis de seus dedos,
E eu me deixava flutuar até você
Sem resistência alguma.
Depois de você, eu continuei a girar,
Mas meu vestido ficou preso
No peso
Das suas histórias.
Cada pedra que, com amor,
Você colocava na barra do meu vestido
Fez mais difícil a dança
E a vida.
Você não queria que eu te deixasse.
E eu me deixei atrair
Pela força da sua gravidade
E fiquei.
E a todo momento,
Meu vestido preferido,
Preso, pesado, parado,
Rasgando.
O que era pouso,
Virou gaiola.
E o repouso,
Ansiedade.
Hoje, eu, que há muito
Deixei para trás pedaços do meu vestido querido,
Sinto com a ponta dos dedos
A falta.
Que é a falha
No meu giro perfeito.
Que expõe
E traz vergonha.
E traz vergonha.
Na minha próxima dança,
Não haverá moda.
Vou dançar nua.
Minha alma queimando ao sol.
Não haverá esconderijo
Ou trapos.
A falta não será mais ausência,
Mas regra.
E nessa nova ordem
De presença intensa,
De alma crua,
A dança será outra.
O meu vestido preferido,
Que ainda insisto em me cobrir pedaços da pele,
Não será mais que uma lembrança turva
De um amor que deixou de vestir bem.
I met you one year ago
Your presence lasted just a few days
And your absence still hurts
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